A Editora Luzeiro é a mais antiga casa publicadora
do Cordel no Brasil em atividade ininterrupta, remetendo suas origens à
segunda década do século XX, quando o imigrante português
José Pinto de Souza fundou a Tipographia Souza. Morrendo Souza, seu
filho Arlindo Pinto de Souza e seu enteado Armando Augusto Lopes fundaram
a Editora Prelúdio que viria a publicar, na década de 1950,
boa parte da produção poética dos maiores autores nordestinos
do período: Manoel D'Almeida Filho, Rodolfo Coelho Cavalcante, Antonio
Teodoro dos Santos, Manoel Pereira Sobrinho, Delarme Monteiro da Silva,
Paulo Nunes Batista, entre outros. Nunca é demais lembrar que a Prelúdio
foi a grande editora no ramo da música no Brasil e a maior divulgadora
da legítima música sertaneja. Também era a editora
da célebre revista Melodias, além da Moda e Viola, Revista
Sertaneja, Modinhas e outras publicações marcantes como os
lendários quadrinhos de Zé do Caixão, no traço
inimitável de Eugenio Collonesee Nico Rosso.
Em 1973, há a mudança da razão social, passando a empresa
a chamar-se Luzeiro Editora Ltda, sediada no bairro paulistano do Brás,
onde há imensa concentração de nordestinos. Desde 1965
a editora já contava com os préstimos de Manoel D'Almeida
Filho (1914-1995), espécie de consultor e selecionador de textos,
além do principal editando da casa, autor do best-seller Vicente,
o Rei dos Ladrões e do sensacional cordel Os Cabras de Lampião,
a melhor e mais completa biografia poética do famoso cangaceiro.
Alguns títulos deste período tinham tiragens espantosas, chegando
a 400.000 exemplares. O catálogo foi enriquecido com a compra do
acervo da tipografia Luzeiro do Norte, de João José da Silva,
que editava poetas da estirpe de Francisco Sales de Areda, Manoel Pereira
Sobrinho, Caetano Cosme e Severino Borges da Silva. Nesta leva, vieram clássicos
como: Rosinha e Sebastião, O Verdadeiro Romance do Herói João
de Calais, Romance de João Cambadinho e a Princesa do Reino de Mira-Mar,
História do Boi Leitão ou o Vaqueiro que não Mentia,
Peleja de Severino Borges com Patativa do Norte, As Perguntas do Rei e As
Respostas de Camões, Romance de João Besta e a Jia da Lagoa,
Amor de Mãe, O Assassino da Honra ou A Louca do Jardim, O Bom Pai
e o Mau Filho, A Fera de Petrolina, A Vitória do Príncipe
Roldão no Reino do Pensamento, entre outros.
Em 1995, Arlindo Pinto de Souza vendeu a Luzeiro à firma dos irmãos
Nicoló - Gregório e Giuseppe - que já distribuía
material da editora. Em 2004, Gregório Nicoló assume sozinho
o comando, transferindo a Luzeiro para sede própria, localizada no
bairro da Saúde, Zona Sul de São Paulo. Nesse período
a Luzeiro passa a editar, além dos folhetos em policromia, de 32
p., folhetos de 16 p., com o mesmo formato dos publicados tradicionalmente
no Nordeste, adotando, inclusive, as xilogravuras. Além dos clássicos,
a Luzeiro, por iniciativa de Gregório Nicoló, promoveu o lançamento
de novos títulos, mostrando que a literatura de cordel, no Brasil,
continua viva, bem viva. A Luzeiro chega ao Século XXI abrindo o
seu acervo quase secular a estudiosos e pesquisadores do cordel e da música
popular.
A Luzeiro hoje é unanimemente reconhecida pela difusão da
boa literatura de cordel por todo o Brasil e até além de nossas
fronteiras. Também há que se reconhecer a contribuição
da Luzeiro à preservação da tradição
cordeliana num período em que a publicação dos clássicos
e de novos títulos parecia fadada ao desaparecimento.
Hoje, a Luzeiro dispõe no seu catálogo de obras dos mais importantes
poetas populares do Brasil, em diversas épocas, como Leandro Gomes
de Barros, João Martins de Athayde, Silvino Pirauá de Lima,
Francisco das Chagas Batista, José Camelo de Melo Rezende, Delarme
Monteiro, Manoel D’Almeida Filho, José Pacheco da Rocha, Luiz
da Costa Pinheiro, João Melchíades, Antônio Eugênio,
Manoel Pereira Sobrinho, José Galdino da Silva Duda, Antônio
Teodoro dos Santos, Rodolfo Coelho Cavalcante, Severino Borges da Silva,
Enéias Tavares dos Santos, João Firmino Cabral, João
José da Silva, Caetano Cosme da Silva, Cícero Vieira (Mocó),
Gonçalo Ferreira da Silva, José Costa Leite, José João
dos Santos (Mestre Azulão), Antonio Alves da Silva, Paulo Nunes Batista,
Minelvino Francisco da Silva, Cícero Pedro de Assis, Moreira de Acopiara,
Marco Haurélio, Varneci Santos do Nascimento e Arievaldo Viana. Grandes
poetas de ontem e de hoje fazendo da Luzeiro uma grande referência
na história cultural deste país.